Autor de várias composições de referência da nova música portuguesa, e sempre em Português, foi em 2003 que embarcou naquela que seria a sua primeira aventura em estúdio, com os Toranja, marcando para sempre o panorama musical português.

A riqueza da simplicidade dos seus poemas e melodias depressa captou a atenção do público com os álbuns "Esquissos" e "Segundo". Temas inesquecíveis como "Carta" e "Laços" são indissociáveis da sua voz marcante. Em 2006 os Toranja anunciam uma pausa prolongada e é então que Tiago Bettencourt parte para o Canadá e tendo como banda de apoio os Mantha, grava o álbum "Jardim" com produção de Howard Bilerman (Produtor de “Funeral” dos Arcade Fire), editado em 2007 com êxitos como "Canção Simples", “O Jogo”, “O Lugar” e “O jardim”.

Em 2010, é editado "Em Fuga", também com produção de Howard Bilerman, com o single "Só Mais Uma Volta" e canções como “Chocámos Tu e Eu” ou “Caminho de Voltar”. A mesma edição exclusiva CD DVD contém imagens inéditas de estúdio durante a gravação de “Em Fuga”, juntamente com um concerto ao vivo que inclui também músicas de “O Jardim”.

No final do ano de 2011 é editado "Tiago na Toca e os Poetas". Neste álbum, que surge acompanhado de um livro, Tiago musica poemas de autores portugueses como Florbela Espanca, José Carlos Ary dos Santos ou David Mourão Ferreira na companhia de amigos como Carminho, Camané, Fernando Tordo, Pedro Gonçalves (Dead Combo), entre outros.

A 26 de Novembro de 2012 chega às lojas “Acústico”, uma imensa celebração onde reúne os convidados Lura e Jorge Palma, e munido dos melhores momentos de uma carreira exemplar assinala um percurso de uma década de muitas experiências e sucessos reveladores de uma das maiores vozes nacionais e de um dos grandes autores da sua geração.

Em 2014, Tiago Bettencourt apresenta o novo disco “Do Princípio”, contando com três colaborações de luxo, Jacques Morelenbaum, Mário Laginha e Fred Pinto Ferreira, além dos seus músicos habituais. Neste disco Tiago renova-se apresentando, entre outros, os surpreendentes “Aquilo que eu não fiz”, “Morena” e “Maria”.

2015 e 2016 foram anos dedicados à apresentação ao vivo deste último álbum, concertos onde não faltaram todos os grandes sucessos da sua carreira.

2017 fica marcado pelo lançamento do seu novo disco “A Procura”, uma viagem incessante em que Tiago Bettencourt nos guia ao longo desde sexto disco da sua carreira, entre a acústica trovadoresca, a pop e as eletrónicas discretas. Um disco marcado pelas colaborações de Márcia, Vanessa da Mata e os singles “Se Me Deixasses Ser”, “Partimos a Pedra” e “Diz Sim feat. Vanessa da Mata”. “A Procura” reflete ao longo das suas 11 canções esta busca incessante do artista pelos vários quadrantes musicais característicos do próprio e mais além ainda.

A 30 de Outubro de 2020, Tiago Bettencourt lança o tão aguardado novo álbum de originais – “2019 Rumo ao Eclipse”, o sétimo da sua carreira. 

Nas palavras do próprio: "'2019 Rumo ao Eclipse' é um álbum que fala de movimentos que se passaram em 2019. Porém, e embora eu aponte para um ano em específico e suas orbitas, estes enredos não estão presos a nenhuma data ou espaço temporal uma vez que são parte intrínseca daquilo que acompanha a vida de cada um de nós: a nossa humanidade. E seja quando for este caminho, ele oferece-nos os desafios com os quais temos que lidar munidos de armas e defesas, de forças e fraquezas. Este álbum fala de escolhas, de lutas, de magoa e indignação, de desapego, de alívio, de aceitação, de casa, e de liberdade. '2019 Rumo ao Eclipse' é uma viagem de ida e volta, como todos os meus álbuns são. Todos os meus álbuns são labirintos, este é só mais um. Espero que escolham ouvi-lo com o tempo que qualquer viagem merece." 

Este novo trabalho é composto por 12 temas, todos da autoria e produção do próprio, e tem a participação especial de Mariza na faixa “Nuvem”. O disco conta ainda com os coros de Mariana Norton e Cláudia Pascoal nos temas “Manhã”, “Fêmea” e “Fachada”, com Fred Ferreira na bateria em “Dança” e “Não Queiras Mais de Mim” e ainda com a voz de Ivo Canelas em “Intro Fachada”. 

Em pleno lockdown nacional o artista inicia uma odisseia de apresentação do álbum aos fãs, com oito sessões exclusivas, todas elas esgotadas, num cenário intimista e apenas munido de uma guitarra, um gira-discos e uma planta. 

Em 2021 aguardando poder regressar aos palcos, o artista faz regressar o formato Tiago na Toca para uma segunda temporada.

A escrita de Tiago Bettencourt, sempre honesta e transparente, parece apelar ao mais intimo de nós, fazendo-nos parar e olhar para o mundo de outra forma.

Além de multi-instrumentista é também produtor tendo sido responsável pela produção de discos de Miúda, Katia Guerreiro, Raquel Tavares e Cláudia Pascoal (2020). A sua contribuição à música portuguesa é e sempre será pautada pelo bom gosto, discernimento, e um respeito infinito pela sua língua, mesmo sabendo que isso sempre limitou as suas hipóteses de internacionalização. Em dezembro de 2018 e 2019 enche o coliseu com um concerto surpreendente nomeado para globo de ouro.

Tiago Bettencourt não pertence e nenhum movimento, a nenhuma corrente ou estilo. O seu caminho é só, independente, variado e coerente, e assim se tem mantido na vanguarda da música cantada em Português há quase 20 anos.