Jardim - 2007

Atualizado: 21 de fev. de 2021



01 Canção simples

02 A ponte

03 O Labirinto

04 O lugar

05 Os dois

06 Outono

07 Voo

08 Amanhã

09 O campo

10 Noite demais

11 Fim da tarde

12 A praia

13 O jogo

14 Canção simples feat. Sara Tavares

01 Canção simples

Há qualquer coisa de leve na tua mão

qualquer coisa que aquece o coração

Há qualquer coisa quente quando estás

qualquer coisa que prende e nos desfaz


e fazes muito mais que um sol

fazes muito mais que um sol


N forma dos teus braços sobre os meus

no tempo dos meus olhos sobre os teus

desço nos teus ombros para provar

tudo aquilo que pediste para mudar


e fazes muito mais que um sol

fazes muito mais que um sol

fazes muito mais que um sol

fazes muito mais...


Tens os raios fortes a queimar

todo o gelo foi o que construí

Entras no meu sangue devagar

e eu transbordar dentro de ti


Tens os raios brancos como o rio

Sou eu que saio do escuro para te ver

Tens os raios puros no luar

Sou quem grita fundo para te ter


fazes muito mais que o sol

fazes muito mais...


Quero ver as cores que tu vês

Para saber a dança que tu és

Quero ser do vento que te faz,

quero ser do espaço onde estás


Deixa ser tão leve a tua mão

para ser tão simples a canção

Deixa ser das flores o respirar

para ser mais fácil te encontrar


fazes muito mais que o sol

fazes muito mais...


Vem, quebrar o medo, vem

saber se há depois

e sentir que somos dois

mas que juntos somos mais...


Quero ser razão para seres maior

Quero te oferecer o meu melhor


e fazes muito mais que um sol

fazes muito mais que um sol…



02 A ponte

Eu sem mim

Tu sem ti

A ponte ligou-me a mim

A ponte ligou-te a ti


Trocámos de margens sem ver

Largámos imagens sem querer

E enquanto a ponte ficou

passámos ao tempo maior

O céu ficou azul

e o Sol brilhou melhor

E se eu não sei quem sou

vens tu dizer-me a mim:

Vem aqui e vais ver!


Eu em ti

tu em mim

A ponte ligou-me a mim

a ponte ligou-me a ti

A ponte ligou-te a ti

a ponte ligou-te a mim


Trocámos de imagens sem querer

e amámos as margens sem ver

E enquanto a ponte ficou

passámos ao tempo maior

o céu ficou azul

e o sol brilhou melhor

e se eu não sei quem sou

vens tu dizer-me a mim:

Vem aqui e vais ver!



03 O Labirinto

A vida é distante

no tempo suspenso

A vida é distante

no nosso presente

É quente o que vejo

mas frio o que sinto

mentira o que tenho

mas sei o que vejo

no meu labirinto


A vida é distante

de tempo intenso

A vida é distante

no fumo imenso

É quente o pó

cego o nó

mentira o que vem

mas vejo o que sinto

no meu labirinto


No meu labirinto

há gente que cai

Depois de perder há gente que cai


Vê quem parou!

Olha o que dói!


A vida é distante

e o tempo foge

A vida é distante

e o tempo urge

Está quente o Sol

mas frio o chão

tudo é ilusão!!!

Não vês o que sinto

no meu labirinto?


Que enquanto se compra

e enquanto se quer

Enquanto se tira

o mundo suspira

Enquanto se mata

o mundo dispara

E vamos caindo... vamos caindo...

É isto que sinto no meu labirinto.


No meu labirinto

Há gente que cai

Depois de perder há gente que cai


Vê quem parou

Olha o que dói.


Quando chuva cai

vê que não sai!

Quando chuva cai

vê que não sai!


Entro no túnel para ver a luz


Quando chuva cai

vê que não sai!

Quando chuva cai

vê que não sai... não sai... não sai.



04 O lugar

Já é noite e o frio

está em tudo que se vê

Lá fora ninguém sabe

que por dentro há vazio

Porque em todos há um espaço

que por medo não se viu

onde a ilusão se esquece

do que o tempo não previu.


Já é noite o chão

é mais terra para nascer

A água vai escorrendo

entre as mãos a percorrer

todo o espaço entre a sombra

entre o espaço que restou,

para refazer a vida

no que o tempo não matou


Onde tudo morre tudo pode renascer


Em ti vejo o tempo que passou

e o sangue que correu

Vejo a força que me deu

quando tudo parou em ti

Na tempestade que não há em ti

arrastei-me para o teu lugar

e é em ti que vou ficar.


Já é noite e a sombra

está em tudo que se vê

Lá fora ninguém sabe

o que a luz pode fazer,

porque a noite foi tão fria

que não soube acordar

A noite foi tão dura

e difícil de sarar


Onde tudo morre tudo pode renascer


Em ti vejo o tempo que passou

e o sangue que correu,

vejo a força que me deu

quando tudo parou em ti

Na tempestade que não há em ti

arrastei-me para o teu lugar,

e é em ti que vou ficar


Porque eu descobri a casa onde posso adormecer

Eu já desvendei o mundo e o tempo de perder

Aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior

Aqui tudo é tão novo tudo porque pode ser amor


E onde tudo morre tudo volta a nascer


Em ti vejo o tempo que passou

vejo o sangue que correu

Vejo a força que me deu

quando tudo parou em ti

Na tempestade que não há em ti

arrastei-me para o teu lugar

e é em ti que vou ficar


Já é dia e a luz

está em tudo que se vê

Cá dentro não se ouve

o que lá fora faz chover

Na cidade que há em ti

encontrei o meu lugar,

e é em ti que vou ficar.


05 Os dois

Eu não sei quantas vezes te vais matar até eu cair

Eu não sei quantas vezes vais fugir para não voltar

Eu não sei qual das fugas iguais será excepção

E talvez um dia seja eu a largar a mão


Eu quero ver quantas vezes me vais ferir até ganhar

Quero saber se o que vem te dá razões para confiar

e entender que eu te sei sarar, te sei fazer feliz


Hoje vou-te querer roubar outra vez

Hoje vou-te querer provar outra vez

Vem viajar e ficando para depois... os dois.


Ninguém te vai prometer que é para sempre a paixão

Ninguém te vai jurar que é o fim da solidão

Mas eu não te sei apagar sem que possas entender:

o que o acaso nos mostrou a razão fez esquecer.


Porque eu sei que existir ao pé de ti é bem melhor

Eu sei que depois da tempestade vem azul

Eu já sei de cor o espaço do teu corpo para mim


Hoje vou-te querer roubar outra vez

Hoje vou-te querer provar outra vez

Vem viajar e ficando para depois... os dois.


Eu não sei quantas vezes te vais matar até cair

Mas se é tão fácil escurecer e tão simples eu fugir...


Hoje vou-te querer roubar outra vez

Hoje vou-te querer provar outra vez

Vem viajar e ficando para depois,

os dois.


06 Outono

Hoje, só por ser Outono, vou chamar-te “meu amor”

Contra as regras do que somos, vou chamar-te “meu amor”

Hoje, só por ser diferente te encontrar


É tanto o fado contra nós

mas nem por isso estamos sós,

e embora fique tanto por contar

hoje, só por ser Outono, vou…


Entre dentes, entre a fuga, vou chamar-te “meu amor”

Enquanto não se encontra forma, vou chamar-te “meu amor”

Entre gente que é demais e tão pequena para saber


Que é tanto vento a favor

mas tão pouco o espaço para a dor

Só pode ficar tudo por contar…

Hoje, só por ser Outono, vou…


E há flores e há cores e há folhas no chão

que podem não voltar…

podes não voltar.

Mas é eterno em nós

e não vai sair…


Desce o tempo e a noite vem lembrar que as tuas mãos também

já não são de nós para ficar


Por ser tanto quanto somos,

certo quando vemos,

calmo quando queremos...

Hoje, só por ser Outono, vou…


07 Voo

Fico tão fraco

tão furiosamente fraco

Desmanchadamente transparente

Descontroladamente diferente


Gosto de ficar aqui,

não há espaço para esconder o fogo

e deixo-me escorregar...


Olha-me tão fraco

tão orgulhosamente chato

Despido e destemido, tão fraco

Perigosamente desfeito no teu leito


Gosto de ficar aqui,

não há espaço para esconder o corpo

e deixamo-nos escorregar...


Leva-me devagar


Vê-me tão alto

Desprendidamente alto

Inatingivelmente distante

Escondido entre as luzes... tão fraco...


Tenta-me tirar daqui...

já só quero descansar o corpo

e deixa-me flutuar...


Leva-me devagar...



08 Amanhã

Amanhã ainda estás cá

Amanhã é que vais ver

quem vai querer ficar para trás

quem vai querer passar em vão

Quem vai querer comer a terra

quando a terra está a arder

Quem vai querer parar a guerra

quando a guerra faz morrer

Quem vai querer lembrar a luz